6 de abril de 2011

Aimèe's death~

Postado por Nana às 23:21

Ela gritou, desesperada. Corria tão rápido, tropeçando na barra rasgada de seu vestido branco, que mal conseguia ficar de pé. Parecia um animal, um animal indefeso e sem a mínima capacidade de raciocinar. Um animal que lutava para sobreviver em meio ao caos, à dor e o sofrimento. Em seu rosto, carregava um pesar tão profundo que quase se podia ler, em letras irreais, um silencioso pedido de ajuda. Uma súplica, uma prece. Seus trajes, mesclados ao rubro do sangue, pareciam pesados, como uma âncora, e cada passo que ela dava parecia-lhe custar muito esforço. Corria sempre em linha reta, como se vislumbrasse no horizonte uma rota de fuga, um caminho seguro por onde pudesse seguir, embora nem o próprio ambiente fosse visível, limitado a alguns borrões negros e cinzentos em conjunto. Seus berros, macabros e estridentes, seguiam sem cessar um segundo, embora fossem morrendo à medida que ela corria e corria. Corria desesperadamente de alguém. Alguém que a perseguia, que queria lhe fazer mal. Alguém que queria machucá-la. A silhueta negra e borrada caminhava parecendo não ter a mínima pressa, esboçando em seus movimentos, sutis e friamente calculados, uma clara ânsia incontrolável de realizar o que quer que brotasse em sua mente. Ela parou, cabisbaixa. Seu rosto foi virando lentamente e seus olhos passaram a observar em minha direção. Pareciam, porém, enxergar além de mim, como se eu não representasse nada mais que um simples codjuvante surpresa naquele teatro de horror. Ela caminhou em minha direção em silêncio, com os olhos, de um azul ciano jamais visto, fixos no que parecia estar exatamente onde eu me encontrava. Estendeu a mão e entreabriu a boca, fazendo menção de dizer algo, mas o que quer que pretendesse deixar os seus lábios morreu ali mesmo. Implorava ajuda, ou apenas perdão. Talvez redenção, ou apenas que eu lhe aliviasse o sofrimento. Seu corpo, frágil e de uma alvidez rara, desfalecia, sem vida, e o último sopro de brisa bagunçava seus longos cabelos prateados, ao mesmo tempo em que a poça do fluido vermelho rubro crescia ao redor do seu ventre, colado ao frio chão.

Trecho de Lotus Carmesin, meu livro.

7 comentários:

Thiago César on 7 de abril de 2011 18:24 disse...

q viagem, hein!
seu livro deve ser bastante interessante!

.Emily~ on 7 de abril de 2011 22:00 disse...

Que massa, você tem um livro! *-* Queria ter essa coragem toda pra fazer um também. yasgeags
Depois comento algo que preste, agora to inútil nas palavras.

allyourbasez on 8 de abril de 2011 05:03 disse...

Caramba, você tem um livro ? Seguindo esse ritmo do texto postado ? Caramba, onde eu consigo pegar pra ler ? :D
Muito bacana, bem escrito e sem ser uma leitura cansativa. Me lembrou algumas lendas de contos de terror que tinham características parecidas da criatura em questão.

Nana on 8 de abril de 2011 12:42 disse...

@allyourbasez Sim sim, eu tenho um livro! Não está publicado (até porque eu nem acabei! HSAUSHAU), mas está em fase de desenvolvimento. Como sou uma amante do terror, de lendas urbanas, e mitologia japonesa, eu tentei juntar tudo isso num livro. Claro, sem tirar os conflitos interiores, morais, medos e angústias. Tento frizar tudo isso. Esse trecho que eu postei, na verdade, é o primeiro parágrafo do livro. :D

@Emily Ainda não completo, mas quase lá. ;_;~

@ThiagoCesar Né? USHAUSAUHUSHUA! Viajar é o melhor!

A moça da flor on 10 de abril de 2011 14:07 disse...

não sei pelo ambiente todo do blog mas me veio claramente um enredo de anime na minha mente hehe.
me lembrou um pouco como eu escrevia anteriormente...
bacana. Mitologia japonesa é?
que bacana! gosto muito de mitologias!

CA Ribeiro Neto on 12 de abril de 2011 11:09 disse...

Bem, vamos lá, reconheço que está bem escrito, mas em relação ao gosto, não está do meu agrado... hehehe
As pessoas só elogiam, geralmente, em blog, mas acho que aqui vale todas os tipos de manifestações. Eu acho que o ritmo do contexto está bem ágil, para um vocabulário e umas orações muito longas e detalhadas.

beijos

lucas lima on 13 de abril de 2011 20:01 disse...

Tenho que ler esse livro!

 

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